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A presença de D.O.R.T. no ambiente de trabalho

A presente pesquisa é proveniente de um estudo monográfico realizado em 2002 para o Instituto Brasileiro de Medicina de Reabilitação (IBMR) e vem observar alguns dos fatores psíquicos e físicos determinantes de D.O.R.T nas costureiras retistas de cinco diferentes indústrias do Rio de Janeiro – Brasil.
Verificou-se na avaliação que 24% das inquiridas trabalham também em casa, representando atividade similar a hora extra de trabalho. Segundo GRANDJEAN (1998), numerosas observações demonstraram que o trabalho extra prejudica a produção/ hora, como também traz um aumento do absenteísmo e de doenças ou acidentes de trabalho. Num trabalho diário de 8 horas, já ocorre o cansaço que é suportável. No entanto, numa jornada diária de mais de 9 horas, este cansaço se reverte em diminuição da intensidade do trabalho, assim como aumento dos sintomas nervosos de fadiga, tendo por isso um aumento à susceptibilidade a doenças e acidentes.
Foi verificada a presença dos seguintes sintomas relacionados por GRANDJEAN (1998): pesadelos, insônia, agressividade, vontade de faltar, irritação, tristeza, dificuldade de movimento, depressão, angustia, cansaço e ansiedade.
Os itens de maior relevância com respectivamente 42%, 50% e 68% foram a irritação, a vontade de faltar e o cansaço, itens que se relacionam e demonstram a presença dos sintomas psíquicos como sinais de fadiga e estresse na atividade em questão.
Segundo IIDA (1998), pessoas estressadas demonstram mudanças comportamentais visíveis, tendo em primeiro lugar a perda de auto-estima e autoconfiança. Ao mesmo tempo, sofrem de insônia, tornam-se agressivas, passam a beber ou fumar exageradamente. O estresse também afeta o sistema nervoso central, reduz a capacidade do organismo em responder a estímulos, diminui a vigilância e provoca distúrbios emocionais. Acrescente-se a estes fatores freqüentes sintomas como ansiedade e depressão.
Sobre os sintomas físicos averiguados, relaciona-se a presença de cerca de 50% de quadro álgico na região lombar, seguido por cerca de 30% de sintomas na região cervical. Os dados são comprovados pela pesquisa realizada pela Social Democracia Sindical, onde constatou-se que a lombalgia seguida pela cervicalgia demonstram os maiores índices de ocorrência, dentre as funcionárias da indústria de confecção.
Segundo NASCIMENTO (2000), a lombalgia pode ser decorrente de posturas viciosas no trabalho, lazer, nas tarefas em casa ou no dormir, pegar pesos de forma inadequada, dentre outros.
Ainda de acordo com a pesquisa realizada, pode-se constatar que o tempo de trabalho influencia no índice de ocorrência de dor lombar. Verifica-se que, em todas as faixas de período de trabalho, há presença de sintomas e ocorrência de maior índice na faixa entre 10 e 15 anos.
O tempo de serviço pode representar a cronicidade do quadro álgico e segundo KNOPLICH (1993) pode-se considerar crônico se o quadro de dor persistir por mais de três meses.
Verificou-se também o índice de profissionais que referiram melhora no final de semana. Este dado vem qualificar o grau de evolução dos quadros de dor.
Constatou-se que 47% das inquiridas não apresentam melhora de seus quadros álgicos nos finais de semana, considerados momento de repouso.
A partir dos níveis de DORT relacionadas por BARBOSA (2002), adaptou-se a seguinte classificação:
Grau I: a característica marcante é o incômodo, o melhor momento para intervenção preventiva, não gera afastamento ou perda de produtividade. Há melhora com repouso ou com redução da produtividade.
Grau II: queda de produtividade presente em pequena escala. O colaborador pode se sentir banalizado. A interferência preventiva deve ocorrer com rapidez para evitar uma piora rápida. A dor pode aparecer ocasionalmente fora do expediente de trabalho.
Grau III: a dor é o pior dos sintomas. Os demais sinais clínicos do processo inflamatório são normalmente presentes e claros. A intervenção é curativa, clinicamente e ergonomicamente, e mais demorada com necessidade de afastamento. Há a presença de dor fora do horário de trabalho.
Grau IV: a dor é forte e persistente, em alguns casos, insuportável. Existe edema e deformidades e as dores contínuas impedem as atividades laborais. É comum a associação de disfunções psicológicas como depressão e ansiedade.
Na análise realizada em relação à algia, 77% do grupo relatou apresentar melhora com repouso e esses podem ser classificados no GRAU I. Já dos que informaram não apresentar melhora com repouso 23% foram classificados como GRAU II. Não foram encontrados na análise colaboradores com classificação entre os GRAUS III e IV de D.O.R.T.
Aos fatores psicossociais inclui o estresse no trabalho, produzido pela pressão da produção, condições físicas de trabalho como ruídos e vibrações e o próprio posto de trabalho inadequado. Além disso, fatores organizacionais como a falta de treinamento e o comportamento excessivamente crítico de chefes e supervisores também são considerados relevantes. Segundo CAILLIET (2001), LIDA (1998) e MENDES (1997), a insatisfação relacionada com o trabalho pode ser fator agravante dos episódios álgicos.